Como a ansiedade afeta o desenvolvimento da aprendizagem?

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O sentimento de ansiedade é uma resposta natural do ser humano a alguns fatores. Entretanto, altos níveis de ansiedade podem causar prejuízo ao indivíduo, seja ele criança ou adulto. 

Os transtornos de ansiedade podem ser caracterizados como um sentimento desagradável de medo e de preocupação excessiva que causa um desconforto desproporcional em decorrência da antecipação de algumas situações. 

Vale lembrar que a ansiedade por si só não é boa ou ruim. Ela é natural aos seres humanos, porém, representa anormalidade quando surge em taxas muito baixas ou muito altas. Uma criança que não apresenta nenhuma ansiedade, como para realizar uma prova ou apresentar um trabalho, por exemplo, pode facilmente tornar-se desmotivada. Porém, o mais comum é ouvir falar em ansiedade excessiva, capaz de bloquear as pessoas até mesmo em ações simples do cotidiano.

Assim como qualquer outro transtorno psicológico, as causas podem ser variadas, tanto quanto os caminhos de tratamento e ajuda. Tudo irá depender do caso e do grau de intensidade em que se apresenta.

Para as escolas, em primeiro lugar, cabe o papel de análise para identificar alunos que apresentam alterações de ansiedade. Afinal, essa não é uma questão que deve ser desassociada das responsabilidades educacionais, já que as consequências são notórias dentro ou fora da escola e, entre elas, a própria queda no desempenho escolar. 

A ansiedade pode prejudicar o aluno em vários aspectos. Veja:

Dificuldade de aprendizagem: 

Alunos com transtornos de ansiedade geralmente apresentam dificuldade para se concentrar e para assimilar informações ditas pelo professor, o que acarreta uma aprendizagem pouco satisfatória. 

Além disso, sentimentos negativos podem tomar conta dos pensamentos desses alunos, dificultando seu foco no aprendizado. Hábitos de vida saudáveis e técnicas de relaxamento podem ajudar nesse ponto.

Desistências:

É comum que alunos com muita ansiedade acabem não atingindo os resultados esperados, o que pode levá-los a desistir de realizar certas atividades. Trabalhos em grupo, por exemplo, podem ser bastante estressantes para alunos com ansiedade.

Perda do foco: 

Enquanto a nossa mente está ocupada com outras funções que naquele momento julga mais importantes, ela não consegue se concentrar bem em outras coisas, como no processo de aprendizagem, por exemplo. Quando ocorre uma reação de estresse ou ansiedade no cérebro é porque há algum tipo de perigo iminente. Pode até não ser verdade, mas é assim que a mente reage. E, é claro, é mais urgente cuidar da tal “situação perigosa” do que estudar. Assim, boa parte da sua atenção será voltada para resolver essa situação.

Redução da capacidade de memória: 

A capacidade de armazenamento de informações é de grande importância para o estudante, pois ele precisa aprender e lembrar de diversos assuntos para aprender coisas novas, realizar provas, discutir sobre temas e assim por diante. E, de fato, o estresse e a ansiedade podem promover uma significativa perda da capacidade de memória, devido ao fato do foco já estar comprometido. Assim, com pouca atenção, terá pouca absorção e retenção do conteúdo. 

Esses sentimentos não dificultam apenas o armazenamento de novas memórias, mas também a manutenção e recuperação das memórias antigas. A perda de memória pode ser transitória, como o tal “branco” na hora da prova ou pode ser crônica, durando por muito mais tempo. Isso certamente causa prejuízos na aprendizagem, afinal, precisamos de informações já gravadas na mente para aprender coisas novas.

Desenvolvimento de baixa autoestima: 

Esse efeito é um tipo de reação em cadeia. O estresse e a ansiedade podem gerar indiretamente a redução da autoestima. Uma criança que enfrenta esses sentimentos pode demonstrar resultados ruins na escola. Isso traz uma sensação de incapacidade. 

Ela percebe que está decepcionando os pais, que esperam que ele seja um aluno brilhante e, quando isso não acontece, vem a sensação de frustração. Isso pode trazer o sentimento de não ser bom o suficiente e, consequentemente, traz a perda da autoestima, que é algo que influencia negativamente em todas as áreas da vida da criança, principalmente se essa sensação for levada para a vida adulta.

O que torna uma criança ansiosa?

De acordo com o psicólogo Philip Kendall, não existe uma única resposta, porém, evidências indicam que as causas são: a parte biológica, a partir cognitiva e a parte relacionada ao meio em que as crianças vivem.

As causas tidas como biológicas ou hereditárias são aquelas que a princípio não se pode controlar, e são fatores genéticos transmitidos de geração para geração.

Já as cognitivas dizem respeito à maneira como essas crianças processam informações e emoções no cérebro. Ou seja, são passíveis de aprendizado e treinamento durante a infância e toda a vida.

Por fim, o ambiente também terá impacto começando pelo estilo de educação parental, como superprotetora ou supercrítica. Ambas serão prejudiciais à maturidade emocional das crianças em fase de desenvolvimento. Entre exemplos relacionados ao ambiente: eventos traumáticos, como um acidente de carro, episódios causadores de estresse, que pode ser o divórcio dos pais, problemas na própria escola ou ainda alguns tipos de rejeição na família ou fora dela.

12 dicas para enfrentar o problema da ansiedade

1. A prática de atividades físicas, por exemplo, é altamente recomendável nesses casos, pois a liberação de endorfina diminui bastante os níveis de ansiedade. A endorfina é considerada um analgésico natural, reduzindo o estresse, a ansiedade, aliviando as tensões e sendo até recomendada no tratamento de depressão leves;

2. Para prevenir qualquer tipo de doença ou transtorno é muito simples: alimente-se bem! Faça com que as crianças comam comidas saudáveis. Sabemos que essa é a parte mais difícil, pois o excesso de açúcar e carboidratos pode ser muito prejudicial, bem como a sua falta, mas não tem jeito: mente e corpo precisam de equilíbrio;

3. Mantenha o físico e o intelectual ativos;

4. Jamais se isole;

5. Reforce os laços familiares e de amizades;

6. Reserve um tempo para curtir a vida e a convivência com os outros;

7. Invista em processos de meditação e yoga;

8. Aprenda a pensar positivamente e respirar;

9. Encare sua ansiedade para aprender a superá-la;

10. Consulte o médico regularmente e não tenha vergonha de buscar a ajuda de profissionais;

11. Faça o tratamento terapêutico adequado;

12. Reconheça seus limites e viva a vida intensamente.

A prevenção é sempre a melhor solução. Não deixe que as crises se agravem, pois as chances de reverter os problemas são menores. 

Conte com o auxílio dos profissionais do Clude Help para orientação de tratamentos mais adequados e como você ou a criança podem enfrentar essas situações difíceis.

*Atenção: As informações existentes no Blog do Clude pretendem apoiar e informar, não substituindo a consulta médica. Não deixe de procurar ajuda profissional.

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Ausencia-de-Saude-Mental-e-o-custo-invisivelDurante muito tempo, a saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como uma pauta de conscientização, clima ou apoio pontual.

Em paralelo, a NR1 era vista, em grande parte, como um tema de compliance: algo a ser acompanhado pelo olhar técnico, documentado dentro dos processos e tratado como exigência regulatória.

Mas esse enquadramento já não dá conta da realidade.

Quando os riscos psicossociais passam a entrar de forma mais explícita na gestão de riscos ocupacionais, o tema deixa de ser apenas uma obrigação trabalhista e passa a tocar diretamente aquilo que a liderança sente na operação: afastamentos, queda de produtividade, turnover, desgaste de lideranças, clima organizacional e continuidade do negócio.

Em outras palavras, o que antes parecia um tema periférico agora entra no centro da gestão.

A discussão deixou de ser apenas normativa

Quando se fala em saúde mental no trabalho, ainda é comum que o debate fique preso a dois extremos: de um lado, o discurso institucional sobre bem-estar; de outro, a preocupação com conformidade.

Só que a realidade das empresas acontece no meio disso tudo.

Ela aparece no colaborador que continua trabalhando, mas já perdeu energia, foco e capacidade de decisão. Aparece na liderança sobrecarregada, que passa a gerenciar conflitos recorrentes sem preparo. Aparece no RH pressionado por aumento de afastamentos, pedidos de apoio emocional, dificuldade de retenção e sinais de esgotamento cada vez mais frequentes.

Por isso, uma leitura mais madura da NR1 não começa no documento.

Ela começa em uma pergunta que poucas empresas fazem com profundidade:

quanto custa não enxergar o sofrimento antes que ele vire afastamento, desligamento ou colapso de performance?

O custo invisível já está na operação

Quando a empresa não investe em mapear e reduzir riscos psicossociais, a conta não chega de forma abstrata.

Ela aparece em camadas, muitas vezes silenciosas no início, mas cumulativas ao longo do tempo:

  • mais ausências e incapacidades
  • perda de produtividade silenciosa
  • aumento de turnover em posições críticas
  • desgaste de lideranças
  • piora de clima e segurança psicológica
  • mais pressão sobre RH, SST e gestores

Esse é o ponto central: a ausência mental nem sempre começa no afastamento formal.

Antes disso, ela já pode estar presente na dificuldade de concentração, na queda de engajamento, no aumento dos conflitos, no esvaziamento emocional e na perda gradual de potência das equipes.

E, quando isso não é tratado com método, o impacto ultrapassa a esfera humana e entra diretamente no orçamento da operação.

Os números ajudam a explicar por quê

Os dados reforçam que esse não é um tema subjetivo demais para ser gerido. Pelo contrário.

Só em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, uma alta de 15,66% em relação a 2024. Ansiedade e episódios depressivos lideraram as concessões.

No cenário global, a OMS estima que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos todos os anos por depressão e ansiedade, com um custo de US$ 1 trilhão em produtividade.

Esses números ajudam a tirar a pauta do campo da percepção e colocá-la onde ela precisa estar: no campo da gestão, do risco e da sustentabilidade do negócio.

Reduzir riscos psicossociais não é só uma agenda de bem-estar

Esse talvez seja um dos principais pontos de virada para as empresas.

Durante muito tempo, iniciativas relacionadas à saúde mental ficaram concentradas em campanhas, ações de comunicação e esforços importantes de conscientização. Tudo isso tem valor, mas já não basta sozinho.

Porque reduzir riscos psicossociais não é apenas promover uma agenda de bem-estar.

É estruturar uma agenda de gestão, prevenção e sustentabilidade da operação.

A própria lógica da NR1 aponta nessa direção: identificar perigos, avaliar riscos, definir medidas de prevenção, acompanhar controles e envolver trabalhadores no processo. Quando o assunto são fatores psicossociais relacionados ao trabalho, isso exige muito mais do que ações pontuais.

Exige leitura de contexto, capacidade de diagnóstico, escuta estruturada, acompanhamento contínuo e decisões orientadas por evidências.

Em resumo: exige método.

O que empresas mais preparadas já entenderam

As empresas mais preparadas não estão mais tratando saúde mental apenas como tema de sensibilização.

Elas estão transformando isso em uma frente mais estruturada de gestão, com ações como:

  • leitura de clima e segurança psicológica
  • visibilidade sobre sinais de sobrecarga, assédio, conflito e exaustão
  • indicadores que apoiem a tomada de decisão da liderança
  • canais confiáveis de escuta e denúncia
  • plano de ação com monitoramento contínuo

Essa mudança de postura é importante porque ajuda a empresa a sair do reativo.

Em vez de agir apenas quando o problema escala, ela passa a construir mecanismos para identificar sinais antes, priorizar ações e oferecer caminhos de cuidado com mais consistência.

Onde essa conversa encontra a prática

É justamente nesse ponto que muitas empresas travam.

Elas entendem a urgência do tema, reconhecem os impactos no negócio, mas têm dificuldade para transformar preocupação em jornada estruturada.

E essa é uma transição importante: sair da intenção e ir para a prática.

Na Clude Saúde, essa construção passa por uma abordagem que integra saúde emocional e saúde digital de forma mais contínua, acessível e conectada à realidade das empresas.

Isso envolve frentes como pesquisa de clima organizacional, dashboard para tomada de decisão, canal de denúncias, adequação normativa e suporte contínuo ao colaborador. Também envolve recursos de acompanhamento mais próximo, com monitoramento ativo, chat com psicólogos, avaliações periódicas de ansiedade, estresse e burnout, além de ferramentas de apoio à rotina emocional.

Na prática, isso significa não esperar o problema escalar para então agir.

Significa criar estrutura para identificar sinais antes, acompanhar casos com mais proximidade e ampliar o acesso ao cuidado de forma simples e viável para a operação.

A pergunta que a liderança precisa responder

No fim, talvez a principal contribuição dessa nova fase da discussão seja esta:

a pergunta que a NR1 está trazendo para dentro das empresas não é apenas “estamos em conformidade?”

É também:

“quanto o nosso modelo de trabalho está custando para a saúde das pessoas, e para o resultado do negócio?”

Porque quando a saúde mental entra no radar da gestão de risco, ela deixa de ser um tema periférico.

E passa a ser tema de orçamento, liderança e performance.

Sua empresa já começou a medir o custo de não investir em prevenção e saúde emocional no trabalho?

Se esse tema já está na pauta de RH, SST ou liderança por aí, vale a conversa.

A Clude Saúde vem estruturando essa jornada com empresas por meio de uma abordagem que une diagnóstico, monitoramento e acesso ao cuidado em um ecossistema digital de saúde.

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