Síndrome do ovário policístico   

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma condição clínica que provoca alterações nos níveis dos hormônios androgênicos, por exemplo a testosterona. Esse aumento pode levar a formação de cistos nos ovários e, como consequência, seu aumento. Com isso, o amadurecimento dos óvulos é comprometido e não se desenvolve como deveria, ficando enrijecido e preso no ovário. Assim são formados, então, os cistos, que são pequenas bolsas que contém material líquido ou semissólido. 

Ainda que o nome dessa síndrome se refira ao ovário, também está associada a algumas disfunções, como resistência periférica à insulina (RI) e hiperinsulinemia. As preocupações metabólicas incluem obesidade, diabetes mellitus tipo II, dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ou seja, a SOP afeta os controles endócrino e metabólico, bem como a saúde cardiovascular da mulher. 

Quais os sintomas da SOP? 

 A SOP pode aparecer e ser sentida de formas diferentes. Alguns dos sintomas mais comuns da SOP são: 

  • Ciclos menstruais irregulares 
  • Menstruação com fluxo muito intenso ou pouco fluxo 
  • Pelos novos ou em excesso crescendo na face ou no corpo 
  • Queda de cabelo 
  • Problemas de pele: pele oleosa, acne ou manchas escuras na parte de trás da nuca com textura grossa e aveludada ocasionadas pelo excesso de açúcar no corpo 
  • Resistência à insulina 
  • Ganho de peso, especialmente em torno do abdômen 
  • Dificuldade para engravidar 

 

Sintomas da SOP podem começar já na primeira menstruação. Isso pode levar as pessoas a crer que seus ciclos ou sintomas são normais quando na verdade podem não ser. Se os sintomas aparecerem ao mesmo tempo da primeira menstruação ou se a menstruação é consistentemente irregular (não frequente ou ausente) 2-3 anos depois da primeira menstruação, é importante buscar atendimento com sua(seu) ginecologista.  

Sintomas da SOP podem se tornar mais notáveis com o tempo, ou apenas se tornarem aparentes depois que alguém ganha muito peso. 

Como é feito o diagnóstico da SOP? 

A SOP engloba um amplo espectro de sinais e sintomas de disfunção ovariana. Em 2003, o consenso de Rotterdam propôs que a SOP pode ser diagnosticada após a exclusão de outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo e a presença de pelo menos dois dos seguintes critérios:  

  • Ciclos menstruais irregulares, especialmente os que são longos ou ausentes 
  • Evidência de andrógeno em excesso, como excesso de pelos corporais ou cabelos ralos na cabeça e /ou altos níveis desses hormônios no sangue 
  • Ter um número igual ou maior que 12 de cistos nos ovários  

 

A(o) ginecologista provavelmente irá perguntar sobre os seus sintomas e seu histórico médico e menstrual e fazer um simples exame físico. Caso seja identificada a possibilidade de que a SOP pode estar presente, podem ser solicitados exames complementares para o diagnóstico, como dosagem de testosterona, TSH (hormônio da tireoide), prolactina, e teste de açúcar no metabolismo (glicemia em jejum e/ou hemoglobina glicada). 

Como é feito o tratamento da SOP? 

A Síndrome do Ovário Policístico é uma condição para a vida, mas existem diversas opções que ajudam a minimizar os sintomas e prevenir complicações no futuro. Como a SOP é tratada, vai depender da causa e dos sintomas de cada pessoa e objetivos.  

Mudanças no estilo de vida 

Dieta, exercícios e mudanças no comportamento podem ter um grande impacto em prevenir e tratar a SOP. Restabelecer a ovulação regular vai ajudar com os sintomas e no impacto na saúde.  

Para muitas pessoas com gordura corporal elevada, a perda de peso em mais de 5% (com mudanças na dieta) pode ajudar a restabelecer a função da ovulação, e melhorar os sintomas como crescimento de pelos faciais. 

Limitar carboidratos simples e açúcares na dieta pode ajudar a manter a insulina equilibrada e pode prevenir inflamação, mas não existem evidências que uma dieta específica seja melhor para todos os casos. A perda de peso pode ser mais difícil para pessoas com SOP, então ser compreensiva com você mesma é importante.  

Busque um(a) nutricionista para fazer o acompanhamento da forma mais adequada possível.  

Medicação para SOP 

 Como se trata de uma doença crônica, o tratamento da síndrome objetiva a melhora dos sintomas, assim, não existe um medicamento que seja utilizado apenas para a SOP, mas sim para as repercussões na saúde que surgem a partir dela.  

Medicação antidiabética e antiandrógena podem ser prescritas para ajudar a equilibrar os hormônios. As pessoas que estão tentando engravidar podem ser tratadas com um medicamento para auxiliar na ovulação. Antidiabéticos, que podem melhorar a forma como o corpo usa a insulina, são as vezes prescritos em combinação com outras formas de gerenciar o peso. Em alguns casos podem ser prescritos contraceptivos hormonais (anticoncepcional), para auxiliar na regulação hormonal e ciclo menstrual. 

A avaliação e indicação para prescrição de qualquer medicamento deve ser feita sempre pelo profissional médico. 

Recomendações da Dra Clu 

Acompanhar o seu ciclo menstrual e os sinais que você apresenta podem ajudar na hora de conversar com um médico! 

É importante ter um registo do seu ciclo menstrual, ou seja, dias de sangramento, características do fluxo menstrual e presença ou intensidade das cólicas. Além disso, acompanhar mudanças na pele, peso ou controle ineficaz da dieta, digestão, evacuação, emoções e qualquer outro sinal que possa preocupar você. 

  • Consulte regularmente sua(o) ginecologista e faça todos os exames que forem solicitados. 
  • Controle seu peso: a obesidade agrava os sintomas da SOP, além de por si só causar uma série de complicações 
  • Atividade física por pelo menos 30 minutos, cinco dias por semana, é essencial, tanto para manutenção do peso ideal como para prevenir problemas cardiovasculares 
  • Mulheres com SOP podem realizar procedimentos estéticos para remoção de pelos, como laser, eletrólise, entre outros, caso desejem. 

 

Mulheres com a Síndrome do Ovário Policístico correm maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares na menopausa, por isso é importante seguir as recomendações buscar um médico caso identifique qualquer tipo de alteração. 

Aqui no Clude, você pode falar com enfermeiros, nutricionistas e psicólogos via chat para solucionar suas dúvidas e ter um monitoramento de saúde personalizado. Além de poder realizar videoconsultas com médicos sem precisar sair de casa! 

Referências 

 Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia 

 Sociedade Brasileira de Patologia 

 DOS REIS SILVA, Ana Lourdes et al. ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS NO TRATAMENTO DE MULHERES COM SÍNDROME DO OVÁRIOS POLICÍSTICOS. Brazilian Journal of Case Reports, v. 2, n. Suppl. 3, p. 326-331, 2022. 

 CAMPOS, Alessandra Espíndola; LEÃO, Maria Eduarda Bellotti; DE SOUZA, Mirla Albuquerque. O impacto da mudança do estilo de vida em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 2, p. e4354-e4354, 2021. 

 DE CARVALHO, Bruno Ramalho. Síndrome dos ovários policísticos: particularidades no manejo da infertilidade. FEMINA, v. 47, n. 9, p. 518-45, 2019. 

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Durante muito tempo, a saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como uma pauta de conscientização, clima ou apoio pontual.

Em paralelo, a NR1 era vista, em grande parte, como um tema de compliance: algo a ser acompanhado pelo olhar técnico, documentado dentro dos processos e tratado como exigência regulatória.

Mas esse enquadramento já não dá conta da realidade.

Quando os riscos psicossociais passam a entrar de forma mais explícita na gestão de riscos ocupacionais, o tema deixa de ser apenas uma obrigação trabalhista e passa a tocar diretamente aquilo que a liderança sente na operação: afastamentos, queda de produtividade, turnover, desgaste de lideranças, clima organizacional e continuidade do negócio.

Em outras palavras, o que antes parecia um tema periférico agora entra no centro da gestão.

A discussão deixou de ser apenas normativa

Quando se fala em saúde mental no trabalho, ainda é comum que o debate fique preso a dois extremos: de um lado, o discurso institucional sobre bem-estar; de outro, a preocupação com conformidade.

Só que a realidade das empresas acontece no meio disso tudo.

Ela aparece no colaborador que continua trabalhando, mas já perdeu energia, foco e capacidade de decisão. Aparece na liderança sobrecarregada, que passa a gerenciar conflitos recorrentes sem preparo. Aparece no RH pressionado por aumento de afastamentos, pedidos de apoio emocional, dificuldade de retenção e sinais de esgotamento cada vez mais frequentes.

Por isso, uma leitura mais madura da NR1 não começa no documento.

Ela começa em uma pergunta que poucas empresas fazem com profundidade:

quanto custa não enxergar o sofrimento antes que ele vire afastamento, desligamento ou colapso de performance?

O custo invisível já está na operação

Quando a empresa não investe em mapear e reduzir riscos psicossociais, a conta não chega de forma abstrata.

Ela aparece em camadas, muitas vezes silenciosas no início, mas cumulativas ao longo do tempo:

  • mais ausências e incapacidades
  • perda de produtividade silenciosa
  • aumento de turnover em posições críticas
  • desgaste de lideranças
  • piora de clima e segurança psicológica
  • mais pressão sobre RH, SST e gestores

Esse é o ponto central: a ausência mental nem sempre começa no afastamento formal.

Antes disso, ela já pode estar presente na dificuldade de concentração, na queda de engajamento, no aumento dos conflitos, no esvaziamento emocional e na perda gradual de potência das equipes.

E, quando isso não é tratado com método, o impacto ultrapassa a esfera humana e entra diretamente no orçamento da operação.

Os números ajudam a explicar por quê

Os dados reforçam que esse não é um tema subjetivo demais para ser gerido. Pelo contrário.

Só em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, uma alta de 15,66% em relação a 2024. Ansiedade e episódios depressivos lideraram as concessões.

No cenário global, a OMS estima que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos todos os anos por depressão e ansiedade, com um custo de US$ 1 trilhão em produtividade.

Esses números ajudam a tirar a pauta do campo da percepção e colocá-la onde ela precisa estar: no campo da gestão, do risco e da sustentabilidade do negócio.

Reduzir riscos psicossociais não é só uma agenda de bem-estar

Esse talvez seja um dos principais pontos de virada para as empresas.

Durante muito tempo, iniciativas relacionadas à saúde mental ficaram concentradas em campanhas, ações de comunicação e esforços importantes de conscientização. Tudo isso tem valor, mas já não basta sozinho.

Porque reduzir riscos psicossociais não é apenas promover uma agenda de bem-estar.

É estruturar uma agenda de gestão, prevenção e sustentabilidade da operação.

A própria lógica da NR1 aponta nessa direção: identificar perigos, avaliar riscos, definir medidas de prevenção, acompanhar controles e envolver trabalhadores no processo. Quando o assunto são fatores psicossociais relacionados ao trabalho, isso exige muito mais do que ações pontuais.

Exige leitura de contexto, capacidade de diagnóstico, escuta estruturada, acompanhamento contínuo e decisões orientadas por evidências.

Em resumo: exige método.

O que empresas mais preparadas já entenderam

As empresas mais preparadas não estão mais tratando saúde mental apenas como tema de sensibilização.

Elas estão transformando isso em uma frente mais estruturada de gestão, com ações como:

  • leitura de clima e segurança psicológica
  • visibilidade sobre sinais de sobrecarga, assédio, conflito e exaustão
  • indicadores que apoiem a tomada de decisão da liderança
  • canais confiáveis de escuta e denúncia
  • plano de ação com monitoramento contínuo

Essa mudança de postura é importante porque ajuda a empresa a sair do reativo.

Em vez de agir apenas quando o problema escala, ela passa a construir mecanismos para identificar sinais antes, priorizar ações e oferecer caminhos de cuidado com mais consistência.

Onde essa conversa encontra a prática

É justamente nesse ponto que muitas empresas travam.

Elas entendem a urgência do tema, reconhecem os impactos no negócio, mas têm dificuldade para transformar preocupação em jornada estruturada.

E essa é uma transição importante: sair da intenção e ir para a prática.

Na Clude Saúde, essa construção passa por uma abordagem que integra saúde emocional e saúde digital de forma mais contínua, acessível e conectada à realidade das empresas.

Isso envolve frentes como pesquisa de clima organizacional, dashboard para tomada de decisão, canal de denúncias, adequação normativa e suporte contínuo ao colaborador. Também envolve recursos de acompanhamento mais próximo, com monitoramento ativo, chat com psicólogos, avaliações periódicas de ansiedade, estresse e burnout, além de ferramentas de apoio à rotina emocional.

Na prática, isso significa não esperar o problema escalar para então agir.

Significa criar estrutura para identificar sinais antes, acompanhar casos com mais proximidade e ampliar o acesso ao cuidado de forma simples e viável para a operação.

A pergunta que a liderança precisa responder

No fim, talvez a principal contribuição dessa nova fase da discussão seja esta:

a pergunta que a NR1 está trazendo para dentro das empresas não é apenas “estamos em conformidade?”

É também:

“quanto o nosso modelo de trabalho está custando para a saúde das pessoas, e para o resultado do negócio?”

Porque quando a saúde mental entra no radar da gestão de risco, ela deixa de ser um tema periférico.

E passa a ser tema de orçamento, liderança e performance.

Sua empresa já começou a medir o custo de não investir em prevenção e saúde emocional no trabalho?

Se esse tema já está na pauta de RH, SST ou liderança por aí, vale a conversa.

A Clude Saúde vem estruturando essa jornada com empresas por meio de uma abordagem que une diagnóstico, monitoramento e acesso ao cuidado em um ecossistema digital de saúde.

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