Saiba o que é e como tratar o diabetes

Ouvir o diagnóstico de qualquer doença é um momento difícil e desafiador. O paciente precisará lidar com uma nova fase em sua vida e precisa começar a criar hábitos saudáveis, usar medicamentos certos para potencializar o tratamento, e assim, conviver com a doença da melhor maneira possível. 

O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. “A doença acomete mais de 14 milhões de brasileiros e é uma doença subdiagnosticada, em torno de 46% dos pacientes não sabem que têm diabetes”, diz a médica endocrinologista do Clude, Janaina Petenuci.

Com isso, o diagnóstico precoce e os cuidados para quem já possui a doença precisa ser redobrado para evitar qualquer tipo de problema ou complicação, sendo que o paciente recém diagnosticado possui muitas perguntas, dúvidas e precisa aprender a lidar com a doença. Porém, quem está bem orientado consegue substituir o medo pela precaução. “É importante que o paciente entenda a doença para encará-la com outros olhares. Ele precisa ter um bom controle para prevenir complicações futuras, e até aquela pessoa que não possui diabetes, ela precisa saber como é importante ir procurar ajuda”, explica Janaina.

Por ser uma doença muitas vezes silenciosa, é importante realizar exames periódicos para fazer um rastreio da doença. Há alguns tipos de diabetes que trazem os mais diversos sintomas e os tipos mais comuns são o tipo 1 e tipo 2. No tipo 1, há uma deficiência de insulina, que é o hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue, e o tipo 2, que está associada ao estilo de vida, principalmente por fatores como obesidade e predisposição genética hereditária. Drª Janaina afirma que “a hereditariedade, por exemplo, se você tem pai ou mãe com diabetes, a probabilidade de você ter a doença é maior, principalmente diabetes do tipo 2. O tipo 1 é um pouco menos frequente, mas o tipo 2 ele tem uma alta frequência devido a hereditariedade. Se a pessoa tem a probabilidade é muito maior que uma pessoa que não tem esse fator genético”.

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“O diabetes tipo 1 ocorre devido a falência da produção de insulina e o paciente desenvolve uma resposta imunológica que são anticorpos que atacam as células pancreáticas, e por isso, ele não consegue produzir a insulina. A insulina é importante para evitar o aumento da glicose, e através dos alimentos conseguimos aumentar a glicose no sangue que são os nossos nutrientes, e para eles serem metabolizados pela célula, precisamos desse hormônio. Então, se um paciente não tem a insulina, ele precisa dela para entrar dentro da célula, e nesses casos, essa hiperglicemia, se ela ficar alta, pode levar a sérias complicações. Já o diabetes tipo 2, o paciente tem mais resistência à ação da insulina e tem mais dificuldade na ação dela. Então o diabético tipo 2, muitas vezes, usa medicação oral, inicialmente ou em alguns casos, precisa usar insulina no começo quando tem glicotoxicidade (efeitos adversos da hiperglicemia). E o diabético tipo 1, normalmente já usa insulina desde o início devido a falência. Aquele diabético tipo 2, de longa data e não controlado, pode ser que ele evolua para a falência pancreática futuramente. Por isso, acaba sendo necessário utilizar a insulina”, explica a Drª Janaina. 

A pandemia de Covid-19 impactou negativamente no controle do diabetes, segundo o estudo científico Diabetes Research and Clinical Practice, realizado pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes). De acordo com o levantamento, entre 22 de abril e 4 de maio deste ano, 59,4% dos pacientes apresentaram piora no controle da doença e no índice glicêmico, e 59,5% reduziram a prática de atividade física. Além disso, 38,4% dos pacientes adiaram suas consultas e exames, 40% não marcaram retorno ou idas ao médico desde o início da pandemia, porém, 95% dos diabéticos respeitaram as orientações de distanciamento social.

Por isso é tão importante que o paciente diabético faça exames periódicos para evitar qualquer tipo de complicação. “Fazemos exames de fundo do olho para avaliar a alteração da retina, o exame de urina, que se chama microalbuminúria ou albuminúria e exames do pé que também deve ser avaliado devido a neuropatia diabética. O paciente normalmente tem que fazer também eletrocardiograma, porque muitos possuem infarto assintomático, então é recomendável fazer eletro anualmente no paciente”, explica Drª Janaina. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de dois terços das pessoas que morrem do coração têm diabetes, sendo que mais de 80% das mortes por diabetes estão relacionadas a problemas cardíacos e renais. 

Devido a isso, muitos pacientes que não possuem em cuidado com o diabetes acabam sofrendo complicações da doença que são extremamente prejudiciais à sua saúde. Segundo Drª Janaina, “tem as complicações microvasculares e macrovasculares. O paciente diabético por si só tem um risco cardiovascular alto, então ele pode ter infarto, insuficiência cardíaca, com uma maior probabilidade, comparado a uma população que não tem diabetes, além do AVC também”. 

Além das complicações cardiovasculares, o diabetes também traz outras consequências se não houver um controle da doença, e a amputação dos membros, por exemplo, é uma das complicações mais sérias do diabetes. De acordo com Drª Janaina, “as outras complicações, normalmente, podem ser uma doença arterial periférica, que seria a obstrução dos vasos da  perna. Também pode ser neuropatia diabética, que é quando o paciente perde a sensibilidade do pé, que vai levando a uma alteração estrutural do pé do paciente diabético. Por isso, o diabetes é uma das principais causas de amputação, porque além de diminuir a vascularização, a chegada de sangue no pé, ele também diminui a sensibilidade. Então, o paciente às vezes se machuca, não sabe e pode levar a amputação do membro. Quando o diabetes está muito descompensado, ele também tem uma alteração na cicatrização e também, pode levar a cegueira. O diabetes é uma das principais causas de hemodiálise no Brasil e no mundo, então é importante essa conscientização do bom controle do diabetes para evitar essas complicações”.

O controle da diabetes é fundamental para que o paciente conviva com a doença sem nenhum tipo de problema. A insulina é um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue e o corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose. As taxas ideais devem seguir medidas rigorosas para não interferir no tratamento nem causar desconfortos no paciente. “Usada por endocrinologistas e por clínicos, a hemoglobina glicada é um parâmetro para mostrar o controle de diabetes. Eu sempre falo para os pacientes que é o famoso “dedo-duro”, porque mesmo que o paciente, uma semana antes de ir ao endócrino e faça o controle certinho, a hemoglobina glicada mostra os últimos 3 meses, mostrando o controle. Já a glicemia mostra aquele momento e dependendo de como o paciente é, por exemplo, um paciente recém diagnosticado e jovem, temos uma meta de glicada mais agressiva, normalmente queremos uma glicada menos de seis e meio, uma glicemia de jejum abaixo de 100, a glicemia duas horas depois da refeição abaixo de 140. Já o paciente de longa data ou pacientes que têm múltiplas comorbidades, um paciente que é totalmente dependente para as atividades básicas diárias, que são idosos, que dependem de um familiar, você não precisa ter uma meta tão agressiva. Às vezes o paciente com uma meta de glicada menor que 8 é tolerável. Agora, aquele paciente que não é recém diagnosticado, que não é totalmente dependente para as atividades básicas, o ideal é que a meta seja menor que 7”, afirma Drª Janaina.

É extremamente importante fazer o diagnóstico precoce do diabetes para fazer o rastreio da doença o quanto antes. “É muito importante que os pacientes, principalmente os homens, que não possuem o hábito de ir ao médico, como as mulheres vão ao ginecologista, fazerem exames de rotina porque grande parte dos pacientes são assintomáticos ou possuem sintomas inespecíficos, como o cansaço”, diz  Drª Janaina.

Há alguns sintomas como alterações visuais que podem indicar que algo está errado. “O paciente também começa a comer além do normal. Os homens podem ter problemas com ereção, a mulher pode ter infecções vaginais de repetição. Os sintomas que mais detectamos, é beber muita água e fazer muito xixi que se chama polidipsia e em alguns casos pode ter perda de peso. Por isso é muito importante com o exame muito simples que nós fazemos que é a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, onde você consegue fazer o diagnóstico de uma doença que tem alta mortalidade e alta morbidade”, complementa.

Por isso manter uma rotina saudável, incluir atividades físicas e uma boa alimentação são maneiras de, além de potencializar o tratamento, evitar também complicações da doença. “É muito importante que você faça os exames de rotina, principalmente aquelas pessoas que têm fatores de risco, que seriam os pacientes acima do peso, com sobrepeso ou obesidade, alguns problemas de saúde, como o colesterol alterado, tabagistas, pressão alta ou que tem algum componente de resistência insulínica, que seria a Síndrome do Ovário Policístico. O paciente obeso, por exemplo, é importante fazer um exame de glicemia e aqueles pacientes que tem histórico familiar, um parente de primeiro grau tem uma probabilidade maior de desenvolver diabetes. É importante principalmente nessa população fazer exames de rotina.”

O diagnóstico precoce é o primeiro passo para cuidar da sua saúde. Se surgir algum sintoma ou acontecer algo diferente com o seu corpo, não deixe de procurar ajuda. “É muito importante esse autocuidado porque nós temos a chamada memória metabólica. Aquele paciente que tem um bom controle desde o início, a probabilidade dele de evoluir com complicações é muito menor. Então, é por isso que eu sempre conscientizo meus pacientes para controlar o diabetes desde o início para evitar essas complicações, que a grande maioria, às vezes, vai controlar o diabetes só quando a função renal começa alterar, que o paciente tá quase ali para fazer diálise ou teve alguma complicação cardíaca. O importante é a prevenção: focar em perder peso, ter uma alimentação mais saudável, evitar o consumo exagerado de refinados, carboidratos e açúcar. Então é sempre importante a gente ressaltar isso para os pacientes”, finaliza Drª Janaina.

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Durante muito tempo, a saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como uma pauta de conscientização, clima ou apoio pontual.

Em paralelo, a NR1 era vista, em grande parte, como um tema de compliance: algo a ser acompanhado pelo olhar técnico, documentado dentro dos processos e tratado como exigência regulatória.

Mas esse enquadramento já não dá conta da realidade.

Quando os riscos psicossociais passam a entrar de forma mais explícita na gestão de riscos ocupacionais, o tema deixa de ser apenas uma obrigação trabalhista e passa a tocar diretamente aquilo que a liderança sente na operação: afastamentos, queda de produtividade, turnover, desgaste de lideranças, clima organizacional e continuidade do negócio.

Em outras palavras, o que antes parecia um tema periférico agora entra no centro da gestão.

A discussão deixou de ser apenas normativa

Quando se fala em saúde mental no trabalho, ainda é comum que o debate fique preso a dois extremos: de um lado, o discurso institucional sobre bem-estar; de outro, a preocupação com conformidade.

Só que a realidade das empresas acontece no meio disso tudo.

Ela aparece no colaborador que continua trabalhando, mas já perdeu energia, foco e capacidade de decisão. Aparece na liderança sobrecarregada, que passa a gerenciar conflitos recorrentes sem preparo. Aparece no RH pressionado por aumento de afastamentos, pedidos de apoio emocional, dificuldade de retenção e sinais de esgotamento cada vez mais frequentes.

Por isso, uma leitura mais madura da NR1 não começa no documento.

Ela começa em uma pergunta que poucas empresas fazem com profundidade:

quanto custa não enxergar o sofrimento antes que ele vire afastamento, desligamento ou colapso de performance?

O custo invisível já está na operação

Quando a empresa não investe em mapear e reduzir riscos psicossociais, a conta não chega de forma abstrata.

Ela aparece em camadas, muitas vezes silenciosas no início, mas cumulativas ao longo do tempo:

  • mais ausências e incapacidades
  • perda de produtividade silenciosa
  • aumento de turnover em posições críticas
  • desgaste de lideranças
  • piora de clima e segurança psicológica
  • mais pressão sobre RH, SST e gestores

Esse é o ponto central: a ausência mental nem sempre começa no afastamento formal.

Antes disso, ela já pode estar presente na dificuldade de concentração, na queda de engajamento, no aumento dos conflitos, no esvaziamento emocional e na perda gradual de potência das equipes.

E, quando isso não é tratado com método, o impacto ultrapassa a esfera humana e entra diretamente no orçamento da operação.

Os números ajudam a explicar por quê

Os dados reforçam que esse não é um tema subjetivo demais para ser gerido. Pelo contrário.

Só em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, uma alta de 15,66% em relação a 2024. Ansiedade e episódios depressivos lideraram as concessões.

No cenário global, a OMS estima que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos todos os anos por depressão e ansiedade, com um custo de US$ 1 trilhão em produtividade.

Esses números ajudam a tirar a pauta do campo da percepção e colocá-la onde ela precisa estar: no campo da gestão, do risco e da sustentabilidade do negócio.

Reduzir riscos psicossociais não é só uma agenda de bem-estar

Esse talvez seja um dos principais pontos de virada para as empresas.

Durante muito tempo, iniciativas relacionadas à saúde mental ficaram concentradas em campanhas, ações de comunicação e esforços importantes de conscientização. Tudo isso tem valor, mas já não basta sozinho.

Porque reduzir riscos psicossociais não é apenas promover uma agenda de bem-estar.

É estruturar uma agenda de gestão, prevenção e sustentabilidade da operação.

A própria lógica da NR1 aponta nessa direção: identificar perigos, avaliar riscos, definir medidas de prevenção, acompanhar controles e envolver trabalhadores no processo. Quando o assunto são fatores psicossociais relacionados ao trabalho, isso exige muito mais do que ações pontuais.

Exige leitura de contexto, capacidade de diagnóstico, escuta estruturada, acompanhamento contínuo e decisões orientadas por evidências.

Em resumo: exige método.

O que empresas mais preparadas já entenderam

As empresas mais preparadas não estão mais tratando saúde mental apenas como tema de sensibilização.

Elas estão transformando isso em uma frente mais estruturada de gestão, com ações como:

  • leitura de clima e segurança psicológica
  • visibilidade sobre sinais de sobrecarga, assédio, conflito e exaustão
  • indicadores que apoiem a tomada de decisão da liderança
  • canais confiáveis de escuta e denúncia
  • plano de ação com monitoramento contínuo

Essa mudança de postura é importante porque ajuda a empresa a sair do reativo.

Em vez de agir apenas quando o problema escala, ela passa a construir mecanismos para identificar sinais antes, priorizar ações e oferecer caminhos de cuidado com mais consistência.

Onde essa conversa encontra a prática

É justamente nesse ponto que muitas empresas travam.

Elas entendem a urgência do tema, reconhecem os impactos no negócio, mas têm dificuldade para transformar preocupação em jornada estruturada.

E essa é uma transição importante: sair da intenção e ir para a prática.

Na Clude Saúde, essa construção passa por uma abordagem que integra saúde emocional e saúde digital de forma mais contínua, acessível e conectada à realidade das empresas.

Isso envolve frentes como pesquisa de clima organizacional, dashboard para tomada de decisão, canal de denúncias, adequação normativa e suporte contínuo ao colaborador. Também envolve recursos de acompanhamento mais próximo, com monitoramento ativo, chat com psicólogos, avaliações periódicas de ansiedade, estresse e burnout, além de ferramentas de apoio à rotina emocional.

Na prática, isso significa não esperar o problema escalar para então agir.

Significa criar estrutura para identificar sinais antes, acompanhar casos com mais proximidade e ampliar o acesso ao cuidado de forma simples e viável para a operação.

A pergunta que a liderança precisa responder

No fim, talvez a principal contribuição dessa nova fase da discussão seja esta:

a pergunta que a NR1 está trazendo para dentro das empresas não é apenas “estamos em conformidade?”

É também:

“quanto o nosso modelo de trabalho está custando para a saúde das pessoas, e para o resultado do negócio?”

Porque quando a saúde mental entra no radar da gestão de risco, ela deixa de ser um tema periférico.

E passa a ser tema de orçamento, liderança e performance.

Sua empresa já começou a medir o custo de não investir em prevenção e saúde emocional no trabalho?

Se esse tema já está na pauta de RH, SST ou liderança por aí, vale a conversa.

A Clude Saúde vem estruturando essa jornada com empresas por meio de uma abordagem que une diagnóstico, monitoramento e acesso ao cuidado em um ecossistema digital de saúde.

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