Como melhorar a inclusão social em empresas?

Em setembro é celebrado o mês da inclusão social durante a campanha do Setembro Verde, período pensado para intensificar a integração de pessoas com deficiência (PCDs) na sociedade, principalmente no ambiente de trabalho. Além de itens básicos de acessibilidade em termos físicos, como rampas de acesso e piso tátil, é muito importante que as empresas e suas equipes estejam preparadas para criar uma cultura de inclusão que seja permanente e igualitária.

Para mais aprofundamento no tema, conversamos com Maria Claudia Biazon, Gerente de Recursos Humanos do Clude.

“Esse tema é tão delicado e tão necessário. A gente ainda precisa evoluir muito nesse debate, porque esse assunto é muito negligenciado e esquecido, e o Setembro Verde veio para isso, surgiu para dar atenção e visibilidade para o tema. O verde remete à esperança para que um dia a gente consiga uma transformação completa nesse assunto. Realmente precisamos conversar, destacar e debater porque se fala de muita exclusão, já que de um modo geral nossa sociedade ainda é muito excludente”, explica Maria Claudia.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 24% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Desses, menos de 1% está inserido no mercado de trabalho. “O Brasil é um país que não tem estrutura [para acolher pessoas com deficiência]. Temos uma estrutura que exclui, então precisamos evoluir muito em ações de inclusão começando com indivíduos, empresas, governantes e assim por diante. Realmente a gente precisa falar”, comenta Biazon.

Quais práticas podem ser implantadas nas empresas?

Sobre inclusão de PCDs no mercado de trabalho, Maria Claudia explica que “as empresas devem estar 100% preparadas para receber e acolher, não só no sentido de fornecer a melhor estrutura, mas também na parte cultural. [O mundo corporativo] não deve criar barreiras. Tem que ter estrutura física e sistemas adequados, sim, mas é muito importante que o ambiente também seja integrador, justo e com equidade”.

Desde 1991, a Lei de Cotas estabelece a seguinte porcentagem: se a empresa possui entre 100 e 200 empregados, 2% deles devem ser PCDs. O número pode chegar até 5% caso a empresa tenha 1.001 colaboradores. Além de gerar oportunidades e acessibilidade, a inclusão de pessoas com deficiência no quadro de colaboradores contribui para um ambiente mais promissor tanto profissional quanto pessoal para todos.

“[As empresas devem] tratar todos os colaboradores da melhor forma, sem diferenças, e pensar na diferença como algo rico, que constrói. Um ambiente múltiplo em ideias é muito mais rico, funciona muito melhor. Antes de tudo a gente tem que ter um ambiente integrador, ter pessoas que acolhem, que não tem preconceito. Isso é um ponto muito importante”, destaca Maria Claudia.

A proposta da inclusão social é criar e desenvolver ações que permitam a participação de todos na sociedade, como garantir a igualdade, vidas mais dignas, sensação de pertencimento e melhoria das condições para que isso aconteça. Existem diversos tipos de inclusão que atendem a diferentes grupos e existem algumas medidas que contribuem para que a inclusão aconteça.

Como trazer a inclusão no dia a dia?

Segundo Maria Claudia, existem campanhas de conscientização que podem ser realizadas entre os colaboradores para permitir que seja construído um ambiente de respeito e igualdade. A promoção de eventos é um exemplo que costuma funcionar, porque “faz com que todos participem de forma igual das ações”.

Além disso, é preciso proporcionar um ambiente onde as pessoas saibam conviver com as diferenças. “Além da parte de espaço físico, é importante dar condições de sistemas e infraestrutura. É todo um trabalho que deve ser feito com a parte cultural, ambiental, quebrar todas as barreiras que estão dificultando. As barreiras podem ser físicas e também culturais de preconceito e exclusão, então a gente precisa gerar um sentimento de justiça e ele tem que ser muito forte”, pontua Biazon.

As empresas estão preparadas?

De acordo com os números do IBGE, ainda é muito baixo o percentual de PCDs inseridos no mercado de trabalho (menos de 1%). Esse dado evidencia que ainda existe muito preconceito e pouca acessibilidade nas empresas que, segundo Maria Claudia, ainda não estão preparadas para acolher este público.

“São necessários processos e uma atenção muito forte com a parte de conscientização, ações para formar, sustentar e fortalecer a cultura de inclusão são importantes tanto na hora de contratar, receber e reter o profissional. É muito importante esse olhar e o desenvolvimento para a continuidade das ações de inclusão. Favorecer a acessibilidade, transformar a cultura, integrar, e que isso tudo aconteça de forma muito natural”, explica.

Como é o processo de contratação e inclusão?

Existem muitas dúvidas na hora da contratação, mas o mais importante é ter uma gestão humanizada para que de fato aconteça a diversidade no local de trabalho. O processo precisa acontecer e ser tratado de forma muito natural, eliminando o preconceito, melhorando a acessibilidade da estrutura e, “na hora de contratar, estar muito atento às questões da vaga, garantir que o processo de recrutamento esteja disponível em formatos alternativos acessíveis, fazer adequações necessárias para cada deficiência, descrever claramente as qualificações exigidas pela vaga, apresentar a forma de acessibilidade ao local de trabalho”, explica Maria Claudia.

Toda a equipe precisa estar preparada para tornar o ambiente receptivo e agradável. “Mais importante ainda é concentrar-se no que precisa ser feito e não em como o trabalho deve ser feito. O candidato com deficiência pode ser capaz de demonstrar que pode realizar tarefas se tiver apoio e flexibilidade”.

O que mais pode ser feito para conscientizar as equipes?

Toda a cultura da organização precisa ser transformada. Para implantar a diversidade e a inclusão, deve-se fazer um trabalho para que realmente ocorra a diversidade e a inclusão. “Os processos devem ser feitos de forma muito estruturada para que não gere desconforto com os colaboradores. É necessário realizar um estudo do perfil da empresa e qual acessibilidade ela oferece para que se consiga receber de uma forma adequada os colaboradores”, comenta Maria Claudia.

A participação dos gestores e lideres é essencial pois precisa ser algo de dentro para fora, para que eles possam apoiar a transformação e acolher as diferentes culturas, as diferenças que vão existir. Sobre o RH, Biazon explica que o setor também deve fazer um bom trabalho frente às mudanças, “analisar o ambiente, a infraestrutura, ferramentas necessárias, realmente construir e permitir novas ideias para que exista essa integração no ambiente corporativo”.

Ela ainda destaca que é “um processo que precisa ser contínuo, não pode ser esquecido nunca, é importante reforçar o quanto a gente precisa promover a acessibilidade e isso tudo só vai enriquecer a cultura da empresa e apoiar a transformação social que a gente tanto espera”.

Para transformar uma realidade de exclusão e desequilíbrio social, as pessoas precisam de oportunidades. Dessa forma, a sociedade precisa oferecer espaço para as pessoas que estão de fora. Num espaço de acolhimento e entendimento, elas podem sonhar e se sentir dignas, pertencentes a uma sociedade, e todos têm essa responsabilidade social.

“Quando se fala de diversidade e inclusão nas empresas, a gente sempre pensa nas minorias e em sempre estar promovendo ações para que essas minorias se se sintam parte de algo de forma igual. A verdadeira inclusão ocorre quando todos os colaboradores passam a ter espaço e são respeitados. Todos precisam ter esse sentimento de pertencer, de reconhecimento, isso é essencial”, finaliza Maria Claudia, Gerente de RH do Clude.

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Durante muito tempo, a saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como uma pauta de conscientização, clima ou apoio pontual.

Em paralelo, a NR1 era vista, em grande parte, como um tema de compliance: algo a ser acompanhado pelo olhar técnico, documentado dentro dos processos e tratado como exigência regulatória.

Mas esse enquadramento já não dá conta da realidade.

Quando os riscos psicossociais passam a entrar de forma mais explícita na gestão de riscos ocupacionais, o tema deixa de ser apenas uma obrigação trabalhista e passa a tocar diretamente aquilo que a liderança sente na operação: afastamentos, queda de produtividade, turnover, desgaste de lideranças, clima organizacional e continuidade do negócio.

Em outras palavras, o que antes parecia um tema periférico agora entra no centro da gestão.

A discussão deixou de ser apenas normativa

Quando se fala em saúde mental no trabalho, ainda é comum que o debate fique preso a dois extremos: de um lado, o discurso institucional sobre bem-estar; de outro, a preocupação com conformidade.

Só que a realidade das empresas acontece no meio disso tudo.

Ela aparece no colaborador que continua trabalhando, mas já perdeu energia, foco e capacidade de decisão. Aparece na liderança sobrecarregada, que passa a gerenciar conflitos recorrentes sem preparo. Aparece no RH pressionado por aumento de afastamentos, pedidos de apoio emocional, dificuldade de retenção e sinais de esgotamento cada vez mais frequentes.

Por isso, uma leitura mais madura da NR1 não começa no documento.

Ela começa em uma pergunta que poucas empresas fazem com profundidade:

quanto custa não enxergar o sofrimento antes que ele vire afastamento, desligamento ou colapso de performance?

O custo invisível já está na operação

Quando a empresa não investe em mapear e reduzir riscos psicossociais, a conta não chega de forma abstrata.

Ela aparece em camadas, muitas vezes silenciosas no início, mas cumulativas ao longo do tempo:

  • mais ausências e incapacidades
  • perda de produtividade silenciosa
  • aumento de turnover em posições críticas
  • desgaste de lideranças
  • piora de clima e segurança psicológica
  • mais pressão sobre RH, SST e gestores

Esse é o ponto central: a ausência mental nem sempre começa no afastamento formal.

Antes disso, ela já pode estar presente na dificuldade de concentração, na queda de engajamento, no aumento dos conflitos, no esvaziamento emocional e na perda gradual de potência das equipes.

E, quando isso não é tratado com método, o impacto ultrapassa a esfera humana e entra diretamente no orçamento da operação.

Os números ajudam a explicar por quê

Os dados reforçam que esse não é um tema subjetivo demais para ser gerido. Pelo contrário.

Só em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, uma alta de 15,66% em relação a 2024. Ansiedade e episódios depressivos lideraram as concessões.

No cenário global, a OMS estima que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos todos os anos por depressão e ansiedade, com um custo de US$ 1 trilhão em produtividade.

Esses números ajudam a tirar a pauta do campo da percepção e colocá-la onde ela precisa estar: no campo da gestão, do risco e da sustentabilidade do negócio.

Reduzir riscos psicossociais não é só uma agenda de bem-estar

Esse talvez seja um dos principais pontos de virada para as empresas.

Durante muito tempo, iniciativas relacionadas à saúde mental ficaram concentradas em campanhas, ações de comunicação e esforços importantes de conscientização. Tudo isso tem valor, mas já não basta sozinho.

Porque reduzir riscos psicossociais não é apenas promover uma agenda de bem-estar.

É estruturar uma agenda de gestão, prevenção e sustentabilidade da operação.

A própria lógica da NR1 aponta nessa direção: identificar perigos, avaliar riscos, definir medidas de prevenção, acompanhar controles e envolver trabalhadores no processo. Quando o assunto são fatores psicossociais relacionados ao trabalho, isso exige muito mais do que ações pontuais.

Exige leitura de contexto, capacidade de diagnóstico, escuta estruturada, acompanhamento contínuo e decisões orientadas por evidências.

Em resumo: exige método.

O que empresas mais preparadas já entenderam

As empresas mais preparadas não estão mais tratando saúde mental apenas como tema de sensibilização.

Elas estão transformando isso em uma frente mais estruturada de gestão, com ações como:

  • leitura de clima e segurança psicológica
  • visibilidade sobre sinais de sobrecarga, assédio, conflito e exaustão
  • indicadores que apoiem a tomada de decisão da liderança
  • canais confiáveis de escuta e denúncia
  • plano de ação com monitoramento contínuo

Essa mudança de postura é importante porque ajuda a empresa a sair do reativo.

Em vez de agir apenas quando o problema escala, ela passa a construir mecanismos para identificar sinais antes, priorizar ações e oferecer caminhos de cuidado com mais consistência.

Onde essa conversa encontra a prática

É justamente nesse ponto que muitas empresas travam.

Elas entendem a urgência do tema, reconhecem os impactos no negócio, mas têm dificuldade para transformar preocupação em jornada estruturada.

E essa é uma transição importante: sair da intenção e ir para a prática.

Na Clude Saúde, essa construção passa por uma abordagem que integra saúde emocional e saúde digital de forma mais contínua, acessível e conectada à realidade das empresas.

Isso envolve frentes como pesquisa de clima organizacional, dashboard para tomada de decisão, canal de denúncias, adequação normativa e suporte contínuo ao colaborador. Também envolve recursos de acompanhamento mais próximo, com monitoramento ativo, chat com psicólogos, avaliações periódicas de ansiedade, estresse e burnout, além de ferramentas de apoio à rotina emocional.

Na prática, isso significa não esperar o problema escalar para então agir.

Significa criar estrutura para identificar sinais antes, acompanhar casos com mais proximidade e ampliar o acesso ao cuidado de forma simples e viável para a operação.

A pergunta que a liderança precisa responder

No fim, talvez a principal contribuição dessa nova fase da discussão seja esta:

a pergunta que a NR1 está trazendo para dentro das empresas não é apenas “estamos em conformidade?”

É também:

“quanto o nosso modelo de trabalho está custando para a saúde das pessoas, e para o resultado do negócio?”

Porque quando a saúde mental entra no radar da gestão de risco, ela deixa de ser um tema periférico.

E passa a ser tema de orçamento, liderança e performance.

Sua empresa já começou a medir o custo de não investir em prevenção e saúde emocional no trabalho?

Se esse tema já está na pauta de RH, SST ou liderança por aí, vale a conversa.

A Clude Saúde vem estruturando essa jornada com empresas por meio de uma abordagem que une diagnóstico, monitoramento e acesso ao cuidado em um ecossistema digital de saúde.

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