A NR-1 exige que as empresas incluam os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa identificar esses fatores, avaliar os riscos, definir um plano de ação com responsáveis e prazos e registrar tudo no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A avaliação olha para a organização do trabalho, não para a saúde mental de cada pessoa.
Status regulatório em 15/10/2026. A obrigação continua em vigor. O que está suspenso, por decisão do STF na ADPF 1.316, são as multas e autuações baseadas nos dispositivos sobre riscos psicossociais. Em 24/09/2026, a suspensão foi prorrogada por mais 90 dias. Este bloco é atualizado a cada nova decisão.
O que são riscos psicossociais relacionados ao trabalho
São condições da organização, da gestão e das relações de trabalho que podem causar agravos à saúde de quem trabalha. O foco está em como o trabalho é organizado: carga, autonomia, clareza de papel, reconhecimento, apoio e convivência.
O guia do Ministério do Trabalho e Emprego é direto sobre isso: o processo não serve para avaliar a saúde mental de cada trabalhador. Uma empresa que aplica só um questionário de sintomas individuais não está fazendo o que a norma pede.
Exemplos de fatores de risco psicossociais
O Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, publicado pelo MTE em 2025, traz uma lista exemplificativa. Ela não esgota o tema:
- Assédio de qualquer natureza no trabalho
- Má gestão de mudanças organizacionais
- Baixa clareza de papel ou função
- Baixas recompensas e reconhecimento
- Falta de suporte e apoio no trabalho
- Baixo controle no trabalho e falta de autonomia
- Baixa justiça organizacional
- Eventos violentos ou traumáticos
- Baixa demanda no trabalho (subcarga)
- Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga)
- Maus relacionamentos no local de trabalho
- Trabalho em condições de difícil comunicação
- Trabalho remoto e isolado
O que a NR-1 exige, etapa por etapa
O guia do MTE organiza o trabalho em quatro etapas. Os trabalhadores devem participar de todas elas.
- Preparação. Atribuir responsáveis, buscar apoio especializado quando necessário, envolver as partes interessadas e comunicar os trabalhadores.
- Identificação de perigos e avaliação de riscos. Descrever o trabalho como ele é feito de fato, verificar quais fatores estão presentes e classificar o risco.
- Plano de ação e acompanhamento. Definir medidas de prevenção com cronograma e responsáveis, verificar periodicamente se funcionaram e revisar a avaliação depois de implementá-las. Veja o que fazer depois do inventário.
- Documentação. Registrar as etapas no PGR, incluindo o inventário de riscos. O guia de PGR para riscos psicossociais detalha essa parte.
Quem precisa cumprir
A regra vale para empresas com empregados regidos pela CLT. Micro e pequenas empresas têm regras de tratamento diferenciado na NR-1, que dependem do grau de risco e dos perigos identificados. Explicamos os critérios em a NR-1 é obrigatória para PME?.
O que o STF suspendeu e o que continua valendo
Em junho de 2026, o ministro André Mendonça suspendeu por 90 dias as multas, autuações e outras sanções baseadas nos dispositivos da NR-1 sobre riscos psicossociais. O fundamento foi a falta de critérios objetivos para punir. O Plenário confirmou a decisão, segundo o Conjur, e a suspensão foi prorrogada em 24/09/2026.
Continua valendo:
- a obrigação de gerenciar os riscos psicossociais no GRO e no PGR;
- a fiscalização orientativa, com recomendações do Ministério do Trabalho;
- a possibilidade de autuação com base em outras normas de proteção à saúde dos trabalhadores.
A suspensão é temporária e está em negociação no STF. Acompanhe os desdobramentos em NR-1: multas e fiscalização.
Erros comuns na implementação
- Tratar a NR-1 como pesquisa de clima ou de sintomas individuais.
- Fazer o inventário sem ouvir os trabalhadores.
- Parar no diagnóstico, sem plano de ação com prazos e responsáveis.
- Não registrar as revisões no PGR.
- Pausar o trabalho por causa da suspensão das multas. A obrigação continua.
Como a gestão de saúde corporativa apoia o RH
A NR-1 abre uma conversa que vai além da conformidade. Depois do inventário, o RH precisa acompanhar se as medidas funcionam, oferecer cuidado contínuo e mostrar à liderança o que mudou. Isso exige indicadores que a diretoria entenda.
O Clude Safe Mind apoia o mapeamento e a avaliação de riscos psicossociais, o plano de ação e a atualização do PGR, junto com cuidado em saúde mental para os colaboradores. Ele não substitui o responsável técnico de segurança e saúde no trabalho da empresa.
Perguntas frequentes
A NR-1 sobre riscos psicossociais está em vigor?
Sim. O que está suspenso pelo STF são as multas e autuações ligadas a esses dispositivos, não a obrigação.
O que são riscos psicossociais para a NR-1?
São fatores da organização e das relações de trabalho que podem causar agravos à saúde, como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e baixa clareza de papel.
A empresa precisa avaliar a saúde mental de cada colaborador?
Não. Segundo o guia do MTE, a avaliação é sobre a organização do trabalho, não sobre sintomas individuais.
Os riscos psicossociais entram no PGR?
Sim. A identificação, a avaliação e o plano de ação devem ser registrados no PGR, incluindo o inventário de riscos.
Os trabalhadores precisam participar?
Sim. O guia do MTE prevê a participação dos trabalhadores na identificação, na avaliação e nas medidas de prevenção.
Conteúdo informativo. Não substitui orientação jurídica nem a avaliação do responsável técnico de SST da sua empresa.
